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Ramon Ribeiro | Bullying e Armas! Ambos podem matar?

Não há coerência alguma em vitimar o culpado e culpar as vítimas pelo ocorrido. Se alguém comete um crime é porque consentiu ao ato de fazê-lo e nada muda essa realidade; ainda assim, vale uma reflexão sadia a respeito destes assuntos.

E primeiro a respeito deste fenômeno social em ambientes escolares que têm reunido pais, educadores e psicólogos a debaterem sobre o tema: o bullying.

Não é de hoje que é de conhecimento de todos que o BULLYING causa sim sequelas e transtornos psicológicos e isso é comprovado cientificamente. Em alguns casos, pode resultar na destruição definitiva da autoestima e do processo de desenvolvimento acerca de si mesmo e da própria personalidade.

O bullying causa danos à psique do autoconhecimento, deturpa a visão do indivíduo diante da realidade que o cerca e prejudica suas relações sociais com amigos e família e isso, de maneira desnecessária, pelos nomeados “agressores”, os chamados “bully” que infelizes em não terem autoconhecimento sobre si mesmos e por não serem aquilo que gostariam de ser, procuram o domínio, o poder e a inserção social, oprimindo, ofendendo e ferindo aqueles que são considerados vulneráveis à sua força, tendo por meio da fraqueza do alvo, a manipulação e influência dos demais como alguém muito mais a ser temido que admirado.

E isso acaba mal. Muito mal.

Acaba mal para quem sofre o bullying, que pode durante toda a vida guardar e reprimir as frustrações a ponto de uma hora quererem retribuir em igual moeda aquilo que receberam do mundo, que em parte era sua escola, e atos terríveis como esse podem surgir.

Acaba mal para quem pratica o bullying, que acostumado a uma vida de poderio e domínio sob os demais em ambiente restrito, dá de cara mais tarde com um mundo hostil e extremamente indiferente à sua existência. Este pode ser um passo para o suicídio ou para a marginalização.

E acaba mal para quem presencia. Um medo é instaurado em seu subconsciente e até sua percepção a respeito do ser humano pode ser corrompida.

Diante disso, fica claro que a flexibilização de armas deve ser restrita somente àqueles que estão aptos a possuí-la, ou seja, somente cidadãos de fato responsáveis, ordeiros e que prezam pela vida em sociedade sob as normas e leis estabelecidas pelo Estado de Direito podem usufruir do direito e da responsabilidade de possuírem uma arma para sua legítima defesa, não dependendo mais diretamente das forças armadas do Estado em forma de total submissão aos governantes que lá estão.

A posse de armas legal precisa ser aceita em sociedades responsáveis e aptas a gerirem a si mesmas com senso de total respeito ao próximo e o indivíduo que a possuí-la deverá se responsabilizar por toda e qualquer ação, seja ela de dano ou ocorrência, provando sua soberania diante de qualquer situação.

É fato comprovado que países com cidadãos armados garantem mais autonomia e que dependem menos de governantes para os tutelar, mas é preciso um amadurecimento coletivo em relação ao direito de ir e vir do próximo, principalmente à sua vida e segurança e a divergência de escolhas e métodos de vida fazem parte de uma sociedade democrática.

Sim. Ainda precisamos debater muito sobre o bullying e sobre o direito universal da legítima defesa. Mas é fato que não chegaremos a lugar nenhum levantando bandeiras partidárias e ideológicas com o objetivo de atingir este ou aquele político. Isso não passa de oportunismo e de total desrespeito àqueles que agora choram e aos que perderam suas vidas. Acima de qualquer política, mais humanidade.

A imagem pode conter: Ramon Ribeiro, sorrindo, close-up

Ramon Ribeiro – Colunista Folha de Ouro

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