BitGo aposta no Brasil e inaugura subsidiária para atender mercado regulado
A BitGo, referência global em infraestrutura para ativos digitais, acaba de lançar a BitGo Brasil Tecnologia. Com isso, a empresa reforça sua presença na América Latina, buscando atender instituições financeiras locais com soluções seguras e compatíveis com as exigências regulatórias do país. A subsidiária oferecerá serviços como custódia institucional com múltiplas assinaturas, armazenamento a frio, seguro contra perdas e ferramentas para negociação, empréstimos e staking de criptoativos.
A decisão de estabelecer uma base no Brasil reflete o reconhecimento do país como mercado estratégico, com uma população cada vez mais adepta às criptomoedas e um ambiente regulatório em evolução. A BitGo se antecipa à possível exigência de armazenamento local de chaves criptográficas, e oferece suporte técnico 24 horas em português, aproximando-se das necessidades específicas dos bancos, corretoras e gestoras de ativos.
Ambiente regulatório mais rígido impulsiona institucionalização do setor
Com o fortalecimento da BitGo no Brasil, o país dá mais um passo em direção à profissionalização e institucionalização do mercado cripto. A presença de empresas estruturadas e comprometidas com a conformidade pode ajudar a romper barreiras históricas, como a desconfiança em relação à segurança e a dependência de soluções estrangeiras.
Esse movimento também favorece o surgimento de novos produtos e serviços cripto dentro do sistema financeiro tradicional, promovendo a integração das criptomoedas à economia formal brasileira. A BitGo se propõe a colaborar com órgãos reguladores, contribuindo para a criação de políticas que combinem inovação com gerenciamento de riscos.
Fim da isenção fiscal reacende debate sobre tributação de criptoativos
Ao mesmo tempo, o setor cripto no Brasil enfrenta turbulências com a proposta do governo Lula de aplicar uma alíquota única de 17,5% sobre todos os lucros com criptomoedas, eliminando a atual isenção para operações de até 35 mil reais mensais. A medida provisória foi apresentada em junho e precisa ser aprovada até 8 de outubro para entrar em vigor.
Críticos alertam que a taxação linear pode desestimular pequenos investidores, desviar recursos para mercados paralelos e prejudicar o crescimento da economia digital. Especialistas afirmam que a proposta não leva em conta as particularidades dos criptoativos e pode comprometer o ambiente de inovação no país.
Disputa entre controle fiscal e incentivo à inovação
Apesar das críticas, defensores da nova política fiscal argumentam que o imposto é necessário para fechar lacunas legais e tornar o mercado mais transparente e justo. A proposta faz parte de uma tentativa mais ampla de incluir os criptoativos no sistema tributário formal, garantindo arrecadação e controle.
O cenário brasileiro reflete uma tensão cada vez mais comum entre a necessidade de regular o mercado e o desejo de fomentar a inovação. A reação do setor e os ajustes que forem feitos na proposta determinarão se o país conseguirá alcançar esse equilíbrio.
América do Sul em transição: oportunidades e riscos
Os acontecimentos no Brasil se somam a investigações recentes na Argentina sobre o colapso do projeto Libra, que revelaram movimentações financeiras suspeitas envolvendo líderes do setor. Esse contexto regional evidencia a importância de estruturas sólidas, transparência e regulamentação clara para garantir a sustentabilidade dos projetos baseados em blockchain.
Com empresas como a BitGo investindo em infraestrutura local e o governo buscando adaptar sua legislação, o Brasil se posiciona como protagonista na definição do futuro das criptomoedas na América Latina. A forma como o país enfrentará esses desafios determinará o ritmo de crescimento e consolidação do setor nos próximos anos.