O Efeito Amazon: Bilhões na Conta de Bezos e a Nova Guerra do Varejo

Empresas

O mercado financeiro tem dessas coisas. Numa tacada só, entre o fim da tarde de quinta-feira e o começo da tarde desta sexta, o balanço positivo da Amazon jogou impressionantes US$ 20,8 bilhões no colo de Jeff Bezos. O cara agora ostenta um patrimônio na casa dos US$ 255,9 bilhões e se consolida como a terceira pessoa mais rica do planeta pelo ranking em tempo real da Forbes. Fica atrás apenas do todo-poderoso Elon Musk (que lidera isolado com seus US$ 494,5 bilhões puxados pela Tesla e SpaceX) e de Larry Ellison, CEO da Oracle, com seus US$ 315,9 bilhões.

Quem também acordou com o bolso bem mais cheio foi a filantropa MacKenzie Scott, ex-mulher de Bezos. Mesmo tendo diluído sua fatia na Amazon em uns 42% ao longo do último ano — detalhe confirmado por documentos regulatórios de outubro —, ela viu sua fortuna dar um salto de US$ 2,6 bilhões de uma hora para outra nesta manhã, batendo os US$ 36 bilhões.

O termômetro das Big Techs

O humor do mercado de tecnologia, porém, anda no mínimo esquizofrênico. Pega a Meta, por exemplo. A turma de Mark Zuckerberg entregou uma receita de US$ 51,2 bilhões no terceiro trimestre, superando em 3,2% as apostas de Wall Street. Mas o mercado financeiro é implacável e torceu o nariz assim que a empresa avisou que vai torrar uma grana pesada em infraestrutura para rodar seus projetos de inteligência artificial em 2026. Resultado? As ações derreteram 6,5% no after-market.

Na outra ponta, a Alphabet (controladora do Google) nadou de braçada. Os papéis subiram 2,5% após a divulgação do balanço, surfando justamente na alta demanda por seus serviços de nuvem e de IA. Nisso, o Larry Page já se acomodou confortavelmente na quarta posição dos mais ricos, com US$ 231,3 bilhões, deixando Zuckerberg um degrau abaixo.

O motor da máquina: Prime Day turbinado

Mas voltando à gigante do e-commerce, essa montanha de dinheiro não se sustenta só de especulação. O motor da Amazon continua girando muito forte no varejo e a próxima marcha já está engatada: o Prime Day de 2026. Só que, desta vez, eles chutaram o balde na estratégia. O evento, que tradicionalmente rolava em julho e durava só 48 horas, foi antecipado para junho e simplesmente dobrou de tamanho. Serão quatro dias inteiros de ofertas, do dia 23 (começando no primeiro minuto da madrugada, pelo horário do Pacífico) até 26 de junho. A última vez que a Amazon antecipou essa data para junho foi em 2021.

A ideia, segundo Jamil Ghani, vice-presidente do Amazon Prime, é abocanhar todo tipo de cliente: desde quem quer trocar de TV e pegar os últimos eletrônicos, até quem está adiantando a compra do material escolar ou só quer economizar na feira do mês. Para isso, a empresa está trazendo de volta os “Today’s Big Deals”, com quedas de preço cronometradas e estoque limitadíssimo de marcas de peso como LG, Levi’s e Sol De Janeiro. Claro que, para entrar na festa, tem o pedágio: você precisa ser membro Prime. Nos EUA, a brincadeira custa US$ 14,99 por mês ou US$ 139 ao ano, com direito ao clássico frete grátis e acesso ao Prime Video e Music.

A resposta da concorrência

A concorrência não está dormindo no ponto e já montou uma marcação cerrada para não perder fluxo. O Walmart botou o bloco na rua antes, com a promoção “Walmart Deals” rolando de 22 a 28 de junho. A liquidação vale para todo mundo, tanto nas lojas físicas quanto online, mas os assinantes do programa premium Walmart+ terão aquele acesso VIP para garimpar os melhores descontos online nas primeiras 24 horas.

Já a Target foi mais direta e colou as datas do seu evento, o “Circle Deal Days”, exatamente nos mesmos dias do Prime Day da Amazon, de 23 a 26. No fim das contas, a dinâmica do mercado continua girando a todo vapor: as big techs quebram recordes de lucro, a briga pelo consumidor esquenta cada vez mais cedo e a gente fica no meio disso tudo, caçando a melhor oportunidade.