Em novembro de 2020, em meio à crise provocada pela pandemia de covid-19, o Banco Central do Brasil lançou o Pix, um sistema de pagamentos digitais instantâneo, gratuito e de fácil utilização. Com o objetivo de reduzir o contato físico em um momento de extrema necessidade sanitária, a nova ferramenta encontrou terreno fértil e rapidamente se tornou um fenômeno entre os brasileiros.
O funcionamento simples contribuiu para sua rápida adoção. Para realizar uma transferência, o usuário precisa apenas do número de CPF ou CNPJ, número de telefone do destinatário ou um código QR. A transação é concluída em segundos, a qualquer hora do dia, incluindo finais de semana e feriados, sem tarifas para pessoas físicas.
A velocidade com que o Pix se consolidou no mercado brasileiro surpreendeu até os analistas mais otimistas. Em apenas quatro anos, o sistema superou o uso de dinheiro em espécie e de cartões de débito e crédito como meio de pagamento preferido pela população. Em 2021, foram registradas cerca de 9 bilhões de transações via Pix. Já em 2024, esse número saltou para impressionantes 63 bilhões de operações.
O volume financeiro movimentado também impressiona: em 2024, o Pix transferiu cerca de 26 trilhões de reais, o equivalente a aproximadamente 4,5 trilhões de dólares. Nenhum outro país do mundo adotou uma solução semelhante com tamanha rapidez e escala.
Parte do sucesso se deve ao caráter inclusivo do sistema. Pequenos comerciantes, trabalhadores autônomos e até mesmo vendedores informais passaram a utilizar o Pix como principal forma de recebimento, eliminando barreiras como taxas bancárias e prazos para compensação. Além disso, a facilidade de uso contribuiu para a digitalização da economia brasileira, mesmo em regiões com acesso limitado a serviços financeiros tradicionais.
O Banco Central, responsável por desenvolver e operar o sistema, continua ampliando as funcionalidades da plataforma. Já foram incorporadas opções como pagamento por aproximação, saques em estabelecimentos comerciais e integração com outras ferramentas digitais, como carteiras eletrônicas e aplicativos de mobilidade urbana.
Especialistas apontam o Pix como um modelo de referência internacional e um exemplo de como a inovação, aliada à regulação eficiente, pode transformar profundamente a forma como as pessoas lidam com o dinheiro. O sistema não apenas aumentou a velocidade e a segurança nas transações financeiras, mas também reduziu significativamente os custos operacionais para empresas e o próprio governo.
O impacto do Pix vai além da tecnologia: ele modificou comportamentos, impulsionou a formalização de pequenos negócios e promoveu maior inclusão financeira em um país marcado por desigualdades. Em apenas quatro anos, o Brasil não apenas adotou o Pix — ele o abraçou como parte de sua rotina cotidiana.